Pense no universo.
Talvez você tenha visualizado estrelas. Muitas estrelas, centenas de luzes. Constelações em espirais. Talvez você tenha pensado na sua grandeza, num plano negro recheado de pontinhos azuis. Ou visto o planeta Terra à distância, redondo, o sol nas proximidades e as estrelas e galáxias na profundidade. O que você imaginou é único e é possível que não tenha sido nenhuma destas coisas ou mesmo todas elas. Mas seu sentimento em relação ao universo provavelmente seja muito convincente, real. Ele é e faz sentido assim.
Imagine um humano que viveu há dez mil anos atrás pensando no universo. Ele nunca viu a imagem de um telescópio ou satélite, nem possue nenhuma concepção física que estudamos a respeito do universo. Ele não teve contato com as imagens dos filmes de ficção científica, das simulações espetaculares das guerras estrelares e das representações e animações gráficas do universo. Sua única janela para imaginar o universo é o céu, seu instrumento o olhar. O que ele veria? Condiziria com a verdade sobre o universo? De quais maneiras a visão deste humano é limitada?
E o quanto da nossa visão é?
A exposição De Olhos no Mundo é um convite à refletirmos de que maneira estamos percebendo o mundo. Com os olhos vendados tocamos as obras, sentimos as texturas, as dimensões, as formas. Concebemos os objetos com a visão obstruída. Mas mesmo assim os percebemos. De forma concreta e também real: há algo ali. Podemos então olhar os objetos. Eles se revelam muito diferentes do que havíamos imaginado. Possuem muitas cores, materiais que não imaginamos estarem nas obras, detalhes que não conseguimos distinguir. Como se nossos sentidos nos tivessem enganado. E como será que eles nos tem enganado durante todo esse tempo?
Agora pense no mundo. Pense no outro. O quanto os nossos sentidos os limitam? Como estamos percebendo o mundo e outro e como estamos nos percebendo? Precisamos aprender a nos ver, a ver o outro e o mundo com todos os sentidos. Há um mundo novo a descobrir e o convite é refletirmos sobre as condições do planeta, dos iguais e principalmente de cada um de nós. Porque as soluções globais começam com mudanças individuais. E a forma de uma grande face em uma das esculturas não poderia ser diferente: os olhos representados por globos terrestres. Uma visão que antes de ser do ser, é de todo o mundo.
aluno do curso de Educação Física Metrocamp/Veris Faculdades
Monitor do projeto De olhos no mundo
A EQUIPE QUE TRABALHOU COMO GUIA NA 3ª.EDIÇÃO DE OLHOS NO MUNDO, REALIZADA NO HOTEL ROYAL PALM PLAZA – CAMPINAS
Guia na exposição De olhos no mundo – Vanessa Ferreira
“Como visitante na EXPOSIÇÃO foi uma experiência marcante. Estou tão acostumada com o sentido da visão apenas, que quando me faltou por alguns instantes e eu tive que descobrir o mundo, as coisas de outra maneira, pude me colocar no lugar de uma pessoa com deficiência visual e vi (percebi) o quanto é difícil não enxergar, como o tempo e o espaço ficam imensos ao nossos pés e toques.
Já trabalhando como guia no ROYAL PALM PLAZA alguns instantes foram marcantes:
No primeiro dia a LIKA (mãe do GUILHERME), eu a guiei durante todo o percurso, quando ela tocava a escultura do coração ela disse mais ou menos assim:
-Nossa, fico imaginando como é ficar sem a visão de repente, como no filme Ensaio Sobre a cegueira, o mundo ficaria um caos. Penso nos meios de locomoção, na indústria, na tecnologia, tudo isso são coisas para quem tem a visão, tudo teria que ser alterado.
Um visitante , também do primeiro dia , não me recordo o nome , que também auxiliei pelo percurso todo me disse:
- Neste momento, sentindo como a visão faz falta, eu agradeço a Deus por ter a minha, e por poder ver o mundo.
No último dia, o senhor Adolfo, um dos últimos visitantes do dia, já estava prestes a ir embora, e o filho o chamou para ver a exposição. Eu o conduzi por todo o percurso, ele não pode tocar todas as esculturas pois estava com pressa, mas foi bem interessante a reação dele. Ele entrou na sala com intenção de acertar tudo o que tocasse. Foi bem engraçado..eu o conduzia e ele sempre falava:
- Muito difícil este…- Sou muito ruim nisso…
Por fim, ele me disse.
- Me dê um quadrado, uma bola, por que senão não vou acertar nada.
VANESSA FERREIRA
Guia na exposição De olhos no mundo – LUISA MORETTI
um convite inusitado
algo para experimentar
causar estranhamento
uma realidade diferente da minha e da maioria da população mundial…
Mesmo tendo participado das outras vezes ou da montagem ou da desmontagem é a primeira vez que estive presente “por completo” e foi muuuuiiiiito bom!!!! foi uma experiência e tanto
ter a chance de participar, colaborar com esse trabalho magnífico.
O que me deixou mais encantada foi a chance de observar a reação das pessoas, tanto pelo fato de ser uma experiência nova, quanto por fazerem com os olhos vendados, e também pela forma como se sentiam envolvidas com cada obra mesmo depois dos olhos descobertos…
Quando eu fiz de olhos vendados, na segunda edição em abril de 2008, foi algo inexplicável. Eu já conhecia a maioria das obras, o poema e tudo mais… apesar da riqueza da vivência, não teve talvez tanto impacto quanto o que foi possível perceber nas expressões de cada pessoa que entrava pela porta na edição do Royal Palm Plaza que ajudei como guia. Independente da idade, eles demostravam/representavam sensações como medo, talvez por ser algo desconhecido e ao mesmo tempo sentia a confiança de se deixarem guiar pelo próximo ao se permitirem vislumbrar cada sensação que o todo poderia lhes oferecer…
Teve um rapaz que guiei de vendas e a cada obra ele buscava primeiramente as extremidades e delimitava seu contorno para depois explorá-las atenta e delicadamente, repetiu este processo em todas as esculturas.
Não aproveitamos os outros sentidos, é como se fossem secundários. A visão na sociedade atual realmente é importante e muito valorizada, mas temos de nos lembrar que não é único sentido que possuímos e que podemos mesmo sem ela apreciar o mundo de outras formas, que podem ser até mais profundas e significativas se soubermos aproveitá-las
Teve também uma senhorinha, que eu acompanhei mas já no meio de sua visita, apesar de ser numa hora um pouco mais movimentada com visitantes ela demonstrava uma certa dificuldade ao caminhar de olhos vendados por isso me mantive mais perto…. e a cada escultura fazia algumas observações sobre a forma, a textura, tentando adivinhar o que eram…. depois de retirar a venda e maravilhar-se com as obras foi me puxando e mostrando em cada uma o que mais tinha chamado sua atenção, as forma que conseguirá acertar, elogiando do começo ao fim seu trabalho…
LUISA MORETTI
Guia na exposição De olhos no mundo – Marilana Moretti Ribeiro
Bom, pra começar eu fiquei surpresa com a exposição, já que eu não conhecia o trabalho e não sabia muito o que esperar. A Luisa vendou meus olhos para que eu pudesse experimentar as sensações, e foi muito diferente já que pela primeira vez eu pude tocar as obras. Geralmente, quando vou a museus ou galerias, poucas obras realmente me chamam a atenção (talvez devido a minha falta de familiaridade com este ambiente e por arte ser algo tão relativo). Mas desta vez, algo foi diferente; não sei se pela proposta da exposição, mas enfim… algumas obras me chamaram MUITA atenção, o ambiente me transmitiu uma sensação gostosa de calmaria…
A princípio, abordar as pessoas pelo hotel não foi uma tarefa fácil. Digo isso não pela tarefa em si, mas pelo fato de eu ser uma pessoa tímida (a princípio, pelo menos…) e ter que abordar as pessoas no restaurante, durante o almoço. Enfim, eu já tinha aceitado o desafio, tinha lido sobre a proposta da exposição então era hora de fazer. A minha parceira para esta atividade pelo jeito estava mais tímida do que eu, então não tive muita escapatória…
Os hóspedes que foram abordados foram muito receptivos e se mostraram interessados, desde senhores(as) de uma certa idade a jovens. Alguns casais com crianças imaginaram que talvez fosse difícil para eles visitarem a exposição porque talvez as crianças não se comportassem ou ocupassem todo o tempo que tinham disponíveis, mas quando mencionei que poderiam levar as crianças e que esta era uma exposição diferente em que todos poderiam tocar as esculturas fui recebida com um sorriso de interesse e talvez dúvida (como será possível uma exposição em que até as crianças podem tocar em tudo??).
Durante a exposição, enquanto eu guiava as pessoas vendadas pelas esculturas foi muito interessante observá-las ao tentar adivinhar o que seria ou suas expressões de dúvida ou alegria… Algumas não se entregarem realmente ao exercício, faziam o trajeto vendadas mas de maneira impaciente e se surpreendiam quando retiravam as vendas. Outras, realmente “curtiram” a atividade, cada peça, cada detalhe, e ao retirarem as vendas examinaram cuidadosamente cada pessa novamente.
Houve uma criança que entrou com os pais e eu tive a oportunidade de prestar mais atenção pois estes foram a exposição num horário mais tranqüilo. Os pais entraram vendados e a criança não. Antes de entrarmos combinei com o menino que ele iria me ajudar então. A criança não quis tocar as peças, mas estava intrigada com o comportamento dos pais ao fazerem a atividade e quando alguém levantava a mão ele me informava e me ajudava a movimentar a pessoa. O menino, às vezes se colocava próximo a uma escultura que o pai ou mãe estava tocando, e ficava imóvel provocando um “susto” nos pais, devido a mudança de temperatura da peça e do rosto da criança.
Enfim, acredito que foi uma atividade diferente para todos que visitaram a exposição e para nós que tivemos a oportunidade de auxiliar estes durante a visita.
Marilana Moretti
TATIANA!
“FIQUEI FORTEMENTE IMPRESSIONADA COM VOCÊ E, COM A PROPOSTA DA EXPOSIÇÃO. FOI UM ALÍVIO TER ENCONTRADO TENDENCIAS E PENSAMENTOS AFINS, EXPOSTOS AO PÚBLICO, PROPORCIONANDO-NOS TAL OPORTUNIDADE”.
SANDRAELIAN
HÓSPEDE NO ROYAL PALM PLAZA – CAMPINAS
Tatiana,
Minha filha e eu convidamos alguns deficientes visuais para vermos juntos a sua exposição. Posso dizer que nós duas, videntes, nos enriquecemos com a experiência. Eles viam coisas que nós não víamos. Preocupadas em descrever as esculturas, recebíamos em troca a interpretação de cada um. Pode crer que as suas obras se comunicam por si. Parabéns!

Os deficientes que foram conosco são: Ir. Cecília von Zuben, professora de nível I, 82 anos, uma das primeiras a usufruir dos serviços do Centro Braille e a alfabetizar crianças cegas em braile; Jean Braz, jovem cego formado em Jornalismo, que trabalha na DPaschoal e dá algumas aulas particulares de informática; Evandro, ainda mais jovem, ensino médio, ensina locomoção e informática – perdeu totalmente a visão há poucos anos e, mesmo assim, passa a todos uma alegria de viver contagiante.
Um abraço.
Norma Torres – maio de 2008

“(…) Eu acho que se cada um abrir os olhos, vai perceber e ter um pouco de compaixão, às vezes aquela pessoa que você tem preconceito pode ser a pessoa mais importante da sua vida. De olhos no mundo, meu mundo é assim, qual é o seu mundo?” - JESSICA MARA DUARTE


Tati,
adoro você e todos os eventos que faz, porque você não pensa em você unicamente, mas em um mundo transformado.
Que DEus continue a te abençoar e te guie por caminhos longos pra levar estes projetos a quem precisa de carinho e alegria.
Beijinhos
Tati,
Amamos seus trabalhos. O mais surpreendente foi Isabela (de 4 anos) em casa no dia seguinte sugerir a seguinte brincadeira:
“Mãe, lembra da exposição da Tati? Então, vou fechar seus olhos, espalhar coisas pela sala e te levar para você ir sentindo, que tal?” Foi muito divertido! Eu Mau e Isabela, fizemos uns para os outros.
Escrevi também para sugerir que você coloque suas obras nos salões de arte de Vinhedo e Piracicaba, para serem avaliadas e concorrer a premiação pelos salões.
Mil beijos,
Parabéns por tudo!
Mônica Dalpoz.
Olá!
Gostaria muito de manter contato e receber artigos via e-mail.
Um abraço,
Rosilene Gomes da Silva