O blog DE OLHOS NO MUNDO está de casa nova:
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Este blog não será mais atualizado, acesse o endereço acima para conferir as novidades e acompanhar nosso trabalho!
Obrigado,
Tatiana Passos Zylberberg
“de olhos no mundo” (blog da exposição)
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Tatiana Passos Zylberberg
ASSISTA ENTREVISTA SOBRE A EXPOSIÇÃO NO SITE DA TV SÉCULO 21:
http://www.tvseculo21.org.br/independente/?opcao=visualizarGaleria&ID=242
clique em:
Tema: Exposição de Olhos no mundo
exibido em 27/09/09
Tatiana Passos Zylberberg
“Gostei de assistir a sua entrevista sobre a sua exposição, acho muito importante oferecer um “abrir” os olhos de forma diferente ao mundo. E mais, fazer com que se propague a iniciativa. Acho interessante quando for falar de mundo, explicar o que é ele. Geralmente as pessoas o entendem no seu sentido amplo, o planeta, o que dá a impressão de que não se pode fazer nada para modificá-lo, porque ele é muito grande para ajudar. Aprender que o mundo são as coisas que nos cercam, que agente toca, facilita o entendimento e possibilita um ato transformador de fato. A pessoa se sente importante, e acredita que o que faz muda as coisas para melhor. Então, como não podemos partir da desigualdade e sim da igualdade, ela só acontecerá se a prática estiver acontecendo” – Lucas Contador
A arte é uma poderosa ferramenta de reflexão que provoca uma experiência sensorial diferente do discurso apenas verbal ou escrito.
Conhecemos a realidade que nos cerca em função de dois sistemas integrados: a sensação e a percepção. A sensação compreende a recepção das informações sensoriais pelos órgãos dos sentidos, incluindo todos os aparelhos e sistemas. Nossos sentidos recolhem e apreendem informações sobre o mundo exterior. Já a percepção envolve a organização e interpretação dessas informações recebidas, como ainda, a atribuição de sentido àquilo que os órgãos sensoriais processam inicialmente.
A sensação e a percepção são processos integrados e inseparáveis, e ambas são adaptáveis. Isso significa que um estímulo, que a princípio nos afeta intensamente, pode deixar de ter tanto impacto após um tempo de exposição repetitiva a ele. Mas também essa “adaptação” pode nos impedir de ver e ouvir outras realidades.

A percepção sofre interferência de diversos fatores, dos quais destaco cinco: nossas experiências anteriores, o contexto em que elas ocorrem, as expectativas que temos, nosso estado emocional e o direcionamento de nossa atenção. Em função dos diversos fatores relativamente independentes que afetam nossa percepção, certas informações sensoriais podem muitas vezes nos induzir a erros e distorções, criando situações de prontidão ou tendenciosidade para organizar as informações de uma determinada maneira.
Precisamos assim recolocar nosso olhar sob diferentes perspectivas já que nossas percepções podem nos fornecer uma visão parcial e limitada. Há, portanto, a possibilidade de nós compreendermos melhor olhando o mesmo fenômeno sob outras condições. Ou quando olhamos com todos os sentidos. Acredito que devemos olhar de diversas perspectivas, numa exploração infinita, já que vivemos dos significados que damos à realidade.
O que pensamos, ouvimos, vemos, dizemos ou escrevemos sobre o mundo e sobre nós está cercado de interferências. Nós temos, então, uma experiência do real assim como do imaginário e, portanto, nossas evidências podem nos iludir.
Este texto é uma adaptação de um dos capítulos da minha tese de doutorado.
ZYLBERBERG, Tatiana Passos. Possibilidades corporais como expressão da inteligência humana no processo de ensino-aprendizagem. Tese de Doutorado. Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Educação Física. Campinas, SP: 2007.
Tínhamos um cronograma a cumprir. Tínhamos convidado as escolas e instituições para trazerem os alunos nas oficinas educativas. Tínhamos a expectativa de dividir a experiência com MUITAS pessoas, mas a abertura da exposição coincidiu com a gripe H1N1.
As escolas tinham suspendido as aulas, as pessoas estavam com medo de se aproximar umas das outras. Algumas pessoas sequer saiam de casa.
A visita a exposição é feita com os olhos vendados, as pessoas tocam em todas as obras, além disso, são conduzidas por outras pessoas. O contato é direto, intenso e próximo. Mesmo disponibilizando álcool gel para assepsia e vendas descartáveis poucas pessoas vieram nos primeiros dias… toda a equipe (meus alunos e ex-alunos que são monitores na exposição) sofriam com aquele vazio… alguns dias, naquela primeira semana, ninguém apareceu…eles contavam as assinaturas no caderno e achavam um exagero quando eu pedia para me ajudar a preparar mais vendas…
Dia 17 de agosto as aulas voltaram. O tempo esquentou. O medo começou a se diluir…e a gripe foi ficando um pouco mais distante…
As pessoas começaram a vir e, quem veio, voltou. Voltou com alguém ou mandou alguém.

As visitas aconteciam: as pessoas vendavam os olhos e seguravam nas mãos dos monitores.. rostos próximos para escutar o outro… mãos tocando nas obras… obras tocadas por outras tantas pessoas…
As escolas agendaram os horários, conseguiram os ônibus ou as professores colocaram os alunos dentro de seus carros.
Os alunos se sentaram em roda: na cadeira ou no chão.
Alunos de creches, EMEI, EMEF, EJA, escolas públicas e privadas, faculdades, pós-graduação, mestrado e doutorado, também pessoas que não frequntaram a escola…
Visitantes de zero a 90 anos.
Grávidas, bebês, crianças, jovens, adultos.
Vendados. Andando no escuro. Conhecendo a exposição com todos os sentidos.
Pessoas sozinhas, em grupos, em família, entre amigos.
De olhos vendados, de olhos no mundo.
Pessoas
que sabiam ler ou não
que andavam em cadeiras de roda
que não enxergavam com os olhos
que liam em braille
que não escutavam com os ouvidos e precisavam do meu toque no corpo.
Pessoas que faziam o percurso falando, outras que queriam escutar o silêncio.

Pessoas que tocavam velozmente cada obra, outras que deixaram o tempo correr e deslizaram lentamente seus dedos nas esculturas…
Moradores de Campinas, Hortolândia, Sumaré, São Paulo, Rio de Janeiro, Bauru, Brasília, Fortaleza, Havaí … Moradores do mundo. De casas grandes e quentes, de casas frias e pequenas, próximas ou distantes. Gente do mesmo mundo. Do único mundo que temos. Do mundo que somos nós.
Algumas choraram, outras gritaram quando se assustaram, algumas riram muito…
Pessoas que antes temiam o escuro descobriram que ele pode ser mágico.
Pessoas que aprenderam a se ver com as mãos.
Pessoas que voltaram na exposição para guiar outras, conhecidas ou desconhecidas.
Pessoas que se surpreendiam, surpreendiam-me e aos monitores.
Pessoas que se propuseram a ver como todos os sentidos.
730 pessoas que agora também estão De olhos no mundo.
Pessoas que agradeço imensamente pela confiança e por aceitarem o convite para aprender a se ver, a ver o outro e o mundo com todos os sentidos.
Aguardem a seleção de fotos e os depoimentos!
Com enorme carinho,
Tatiana Passos Zylberberg

Tatiana Passos Zylberberg foi convidada para falar da exposição DE OLHOS NO MUNDO no programa In-dependente da TV Século 21. Dia 03 de setembro, Sandra Maria Pires Vieira Saad, a entrevistou e lançou perguntas desafiantes sobre a relação dos temas da exposição e a dependência química. Avisaremos quando o programa for ao ar, vocês poderão conferir pela TV e na Internet.
LANÇAMENTO: 30 MOMENTOS EM AUDIO BOOK
“Em 2005, na comemoração dos meus 30 anos, publiquei a primeira edição de um livro de textos autobiográficos intitulado “30 Momentos”. A tiragem de 500 exemplares foi “lançada” dentro da minha festa de aniversário, dia marcado pela venda dos primeiros 75 livros. Ao longo de três anos, esta ousadia cumpriu seu propósito: financiar as ações do Projeto Letras de Esperança. Em julho de 2006, na cidade de Itajubá-MG, realizamos oficinas educativas de dança, artes, música, planejamento financeiro e meio ambiente para pessoas da comunidade. A venda deste livro ajudou a patrocinar a produção das obras da exposição “De olhos no mundo”.

No início de 2008, restavam apenas 15 exemplares. O que fazer? Dizer que o livro se esgotou ou anunciar já havia uma segunda tiragem disponível para venda? Como muitas coisas boas aconteceram desde que decidi publicar meus “30 momentos”, a segunda edição pareceu-me a melhor escolha e produzi mais 500 exemplares. Em julho de 2009, na comemoração dos meus 34 anos, decidi criar uma versão “audiobook”. Narrei os textos e acrescentei comentários, dialogando com os ouvintes-leitores. Esta ideia está alinhada a uma tendência de criar outras “condições” de acesso a leitura. Este livro é um dos produtos da linha DE OLHOS NO MUNDO. A receita é revertida a produção das obras, favorecendo a sustentabilidade do projeto” – Tatiana Passos Zylberberg
Projeto DE OLHOS NO MUNDO foi contemplado no FICC 2009
O Fundo de Investimentos Culturais de Campinas (FICC) publicou no dia 30 de abril, no Diário Oficial do Município, a relação de projetos selecionados referentes ao Edital 2008/2009. Em sua terceira edição, foram 357 inscritos e 96 projetos selecionados pelo Conselho Municipal de Cultura de Campinas.
Ao todo, foram selecionados dois projetos da área de Arquivo, três na área de Artes Plásticas e Visuais, dois de Artesanato, dois de Biblioteca, nove na área de Vídeo. Na área de circo foram dois, mais sete na área de Dança, dois na área de Folclore e Manifestações Populares, três na área de Fotografia. Também dois na área de Contadores de História, seis na área de Edição de Obras Literárias, três na área de Museu.
Na área de Música Gravação de CD, foram selecionados trinta e três projetos, mais cinco na área de Música Produção e Circulação e 14 na área de Teatro Produção e Circulação. O Fundo de Investimentos Culturais de Campinas, tem como um dos objetivos principais apoiar a criação, pesquisa e produção da cultura com base no pluralismo e na diversidade de expressão.
A exposição DE OLHOS NO MUNDO foi selecionada na área de Artes Plásticas e visuais e uma nova edição vai acontecer no período de 14 de agosto a 13 de setembro de 2009. Aguardem mais notícias!
Tatiana Passos Zylberberg
A terceira edição da exposição DE OLHOS NO MUNDO aconteceu no Hotel Royal Palm Plaza em Campinas/SP, nos dias 02 e 3 de janeiro de 2009.
Equipe DE OLHOS NO MUNDO
No Hotel Royal Palm Plaza os visitantes da exposição puderam contar com o auxílio de monitoras GUIAS.
Da esquerda para direita: Vanessa, Lucineide, Marilana, Luisa apoiaram o trabalho da Tatiana Zylberberg
Os hóspedes puderam vivenciar uma exposição sensorial que aborda tema social e provoca reflexões em pessoas de todas as idades.
TODAS AS IDADES
DIFERENTES REALIDADES SOCIAIS
MÚLTIPLAS EXPERIÊNCIAS SENSORIAIS
Por meio de uma experiência sensorial, diferente da compreensão propiciada “apenas” pela visão, os visitantes da exposição DE OLHOS NO MUNDO podem tocar e se sentirem tocados sobre o mundo em que vivem. De olhos vendados descobrem as esculturas com as mãos. Ao mesmo tempo escutam os poemas que são disponibilizados tanto em braile quanto em uma locução/trilha sonora. Nesse projeto, todos os sentidos são contemplados, levando aos visitantes uma reflexão premente: temos cuidar de nós, do outro e do mundo.
O “Museu do Diálogo” sediou a primeira edição da Exposição, realizada de 15 a 27 de abril de 2008. Localizada no Shopping Galleria (Campinas – SP), o Museu acolheu a mostra De olhos no mundo – que teve entrada franca. Tatiana ainda ofereceu oficinas educativas para escolas e atendeu instituições como o Centro Louis Braille, o Instituto dos Cegos, EMEF Dr. Lourenço Bellocchio, EMEF Raul Pilla, EMEI Zuleika H. Novaes, EMEI Meu Pequeno Mundo, CEMEI Alexandre Sartorio Faria, Cimei 37 Presidente Arthur Bernardes, Colégio Photon e Colégio Atrium.

A segunda edição, com mais obras novas, aconteceu de 11 a 29 de junho de 2008 na Galeria de Arte do Círculo Militar, também em Campinas. Um ponto de destaque foi a visita dos alunos da CIMEI Alexandre Sartorio Faria, instituição que atende crianças de um a seis anos.
Já a terceira edição aconteceu no Hotel Royal Palm Plaza em Campinas/SP, nos dias 02 e 3 de janeiro de 2009. Os hóspedes puderam vivenciar uma exposição sensorial que aborda tema social e provoca reflexões em pessoas de todas as idades.
O projeto “De olhos no mundo” conta com o apoio da Oficina Gráfica – Ogra, que produz os convites em relevo especial permitindo, que desde o convite, o visitante sinta o mundo com as mãos. A Ogra produz também os folders que são distribuídos no evento e que trazem tanto as imagens de algumas esculturas quanto o poema principal na íntegra.
Apoiram ainda a realização deste projeto: SPSign Digital, Diálogo do Escuro, METROCAMP/ProMETRO, Agência Elefante Branco e a Fazenda Morada das Nascentes/Uniflora. O logotipo “De olhos no mundo” foi criado por Michel Zylberberg, irmão caçula de Tatiana.
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